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o retorno de zabelê, zumbi e besouro... a vespa não veio. tá lá, fabricando mel

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2004

escrito às duas da manhã
A SÍNDROME DA FALTA DE COMUNICAÇÃO

Há tempo não vou ao teatro.

Na última fui ver "O Acidente", de Bosco Brasil. Louise Cardoso e Marcelo Escorel vivem personagens esquisitões que se conhecem do trabalho e mal se falam. São apaixonados um pelo outro, mas nunca conseguem expressar isso de maneira clara.

A situação patética dos dois na peça me fez pensar em como somos todos muito ruins de comunicação. E até inventei um distúrbio para definir isso: a Síndrome da Falta de Comunicação, que até o fim do texto vamos chamar de SFC.

A SFC é um tipo de doença que nunca acomete um cidadão só. Para cada vítima, há sempre um equivalente que sofre na mesma medida, só que em direção oposta. Sim, há casos de pessoas que não conseguem se comunicar direito com elas mesmas, mas ainda não foram devidamente estudados.

Já vivi casos crônicos de SFC. Não sou o único. Aliás, a Organização Mundial de Saúde deveria incluí-la na lista dos grandes males modernos, da qual já fazem parte a obesidade e o alcoolismo. Afinal, é comum encontrar pessoas com 20 ou 30 e poucos anos com sintomas deste distúrbio.

Se você sofre da síndrome, saiba: existe alguém do outro lado da linha que tem o mesmo problema, com a mesma intensidade e pensando em você do mesmo jeito. Mas nenhum dos dois vai telefonar, claro, porque não pega bem.

O maior sintoma já registrado é que, apesar de avessos à comunicação telefônica, vítimas da SFC apresentam intensa atração física se colocados nas mesmas condições de temperatura e pressão (leia-se festas e eventos sociais).

O problema é o "day after". As ressacas, não de bebida mas de SFC, estão entre as piores. E o Ministério da Saúde deveria advertir, fazer algo para colocar na nossa cabecinha que determinadas pessoas, como certas substâncias, são prejudiciais à saúde mental.

E, ao contrário do raciocínio óbvio, cortar todas as formas de contato parece não ter efeito na cura do distúrbio. Pelo contrário, em paciente estudados na universidade americana Johns Hopkins, o isolamento e determinação em romper o vínculo resultaram num aumento posterior do ruído na comunicação.

Vou continuar estudando a SFC. Voltamos a qualquer momento com novos boletins.

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