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o retorno de zabelê, zumbi e besouro... a vespa não veio. tá lá, fabricando mel

segunda-feira, 26 de janeiro de 2004

referência
OS POBRES E AS NOVELAS*

No subúrbio onde cresci, no Rio, a vida era sempre pautada pelas novelas. Em todos os sentidos.

O horário dos compromissos, por exemplo. Uma festa só tinha quórum se começasse depois da novela das oito. "Passa lá em casa depois de 'Roque Santeiro'", seria a frase-convite. É assim até hoje: "Menina, passei na casa da Jussara ontem, depois da 'Celebridade'".

Uma das maiores alegrias de um subúrbio é ser escolhido como cenário de uma das tramas. O povo se enche de orgulho em saber que seu quinhão de terra vai aparecer na Globo. Além de status com os parentes que moram em outros subúrbios, existe a esperança de que o imóvel que compraram com muito suor fique mais valorizado. E ainda tira onda com os colegas do trabalho. "Mô otário, eu moro em São Cristóvão. Aparece toda hora no Clone! E tu que mora em Santa Cruz?"

Outra alegria de ser O subúrbio de novela é que dá a impressão de que o bairro é perto de tudo. O povo vai de Ipanema a Del Castilho em vinte minutos. Na vida real o percurso não leva menos de uma hora.

O que os pobres e as pobres vestem também sofre grande influência do figurino das novelas. E, por conta disso, fomos brindados com manias horrendas como o tererê da Bionda e as meias com sandália da Babalu, de "Quatro por Quatro", agora reeditadas pela Darlene, de "Celebridade".

E já reparou que pobre nunca sabe o nome do ator? Se vê a Malu Mader na rua, grita "Alá a Maria Clara!", Marcos Pasquim é Esteban, Ana Paula Arosio pra sempre será Giuliana. E, sim, "alá" é uma maneira abreviada de dizer "olha lá". Também é comum confundir pessoas que se parecem fisicamente. Como a amiga da minha irmã que viu a Marisa Monte no Leblon e gritou: "Vani, eu adoro você", achando que era a Fernanda Torres.

Queria um jeito criativo de terminar esse post, mas preciso almoçar. Agora de tarde, depois da "Corpo Dourado", eu tento de novo.

Este post é dedicado às caléga do Suburbia Tales, um dos blogs mais geniais que li nos últimos tempos

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