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quinta-feira, 15 de janeiro de 2004

plantão da farmácia central
VEM AÍ O RISCO-NAMORO

Amor é como diplomacia: vá até o limite, mas nunca ameace a soberania da nação.

Sempre fui a favor de exigir visto para quem entra na minha vida e atualmente estudo a hipótese de fichar as pessoas novas. Talvez até criar um esquema, como o dos americanos, de classificar quem chega: verde para o turista bonzinho e vermelho para quem pode jogar um avião no Pentágono.

O problema é que eu provavelmente deixaria entrar todos os alertas vermelhos e deportaria os turistas que chegassem para gastar dólares no meu país.

Manter a soberania da nação envolve uma série de fatores. O mercado financeiro, por exemplo. Uma ação vale tanto mais quanto as pessoas acreditam que ela vale. E, se você não se dá valor, quem vai comprar papéis da sua empresa?

Se existe risco-país, por que não o risco-namoro? E, se alguém passasse a usar esse indicador, eu gostaria de ser considerado um investimento de baixo risco. Sim, pode investir no meu país porque eu não vou dar o cano nos pagamentos. E prometo toda a rentabilidade da minha economia emergente.

Ter soberania é saber os limites. Os seus, do seu namorado e das pessoas que dão em cima dele. Sim, pode me chamar de glenn. Mas por acaso alguma nação deixa que outra cruze suas fronteiras sem declarar guerra?

Como os diplomatas, um bom namorado precisa falar várias línguas além de ser especialista na sua própria. Se for um idioma difícil, tipo árabe ou japonês, melhor ainda! E é preciso não exagerar nas ligações internacionais. Telefonemas custam caro. Tanto que até hoje não saldei algumas dívidas.

É difícil deixar que sua balança comercial dependa dos negócios de outro país para ficar positiva. E se ele resolver fechar negócio com um dos tigres asiáticos? Ou se a dívida interna dele criar uma crise e ele não conseguir mais honrar os compromissos com você?

Encarar tantos desafios pode parecer desanimador. O número de diplomatas me parece tão pequeno quanto o de casais felizes, por exemplo. Mas não dá para desistir de fazer negócios. É preciso continuar exportando as bananas e figos que sua terra varonil não vai parar de produzir nunca. Só é preciso achar a nação certa.

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