Central de Manicures

o retorno de zabelê, zumbi e besouro... a vespa não veio. tá lá, fabricando mel

terça-feira, 2 de setembro de 2003

eu rondo a cidade...

UM CRETINO NUMA NOITE DE MEIA SUJA
ou “Dois Cretinos numa Noite Fina - parte 2 - Manny Strikes Back”



Calça, terno, sapatos e camisa pretos. Gravata cinza. Meias brancas.

Não é prova do Detran, mas basta saber dizer o próprio nome para entender o erro, ou melhor, o drama da frase acima.

Com este figurino adentrei um dos hotéis mais chiques do país, na noite de ontem, depois de ser escalado de última hora para cobrir uma festa bacana do Rio.

Acontece que o convite exigia traje passeio completo (terno e gravata) e eu, do jeito que estava, não teria autorização nem para andar na quadra da festa.

A solução foi alugar a roupa. Mas como não existe crime perfeito, a loja não tinha meias para vender . Nem para alugar, financiar, trocar, rifar ou qualquer outra coisa que evitasse o mico de estar de preto dos pés à cabeça, com a meia branca dizendo “oi” às pessoas antes que eu as cumprimentasse.

“Mas a perna da calça é comprida! Dá pra esconder”, tentei me consolar.

Um prestobarba, creme de barbear e gel de cabelo resolveram os outros problemas. Até que senti falta de uma coisa essencial para um ser humano: desodorante! Como esqueci de comprar desodorante????

No melhor estilo McGyver, dei um truque com o creme de barbear mentolado Bozzano. E nem ardeu! Resolvidos os problemas, fui à festa. O tempo todo puxando a calça pra baixo, discretamente, claro.

A voz da minha consciência repetia à exaustão:

“Sob nenhuma circunstância você pode se sentar”.

A primeira visão que tive na festa foi das melhores: uma garrafa de Johnnie Walker Black Label. Que eu, profissional, consegui rejeitar. Fiquei só no Veuve Clicquot, para compensar o excesso de Chandon Brasil da última sexta-feira.

Depois de trabalhar por hoooooooooooooreas, fui com o fotógrafo ao Jobi, no Leblon. Tomamos um chope e eu não desperdicei a chance de ir ao BB Lanches.

Para quem não sabe, BB Lanches é tudo na vida de uma pessoa. Lá vende um pastel de camarão com catupiry que eu APOSTO: é feito por Deus. Eu comia e pensava: “Mas por que tão gostoso? POR QUE?”.
Ocasionalmente esquecia que já não estava mais na festa e dizia mentalmente: “Não senta! Você tá de meia branca!”.

De volta ao hotel que a “firma” tinha reservado, achei que era hora, sim, de ser fino. Uma pessoa que passou a noite de terno preto e meia branca precisa ter alguma alegria na vida, não?

Por isso fui tomar banho de banheira. Morrendo de sono – já passava de duas da manhã – deixei a banheira enchendo e fiquei vendo TV. Quando chegou a hora do meu encontro marcado com o luxo, a decepção: a água do chuveiro não estava esquentando.

Só restou ir dormir. E sonhar que todos caçoavam das minhas meias brancas.

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