Central de Manicures

o retorno de zabelê, zumbi e besouro... a vespa não veio. tá lá, fabricando mel

quarta-feira, 26 de março de 2003

Documento Especial, Blog Verdade
NO BURACO DA LACRAIA

“É Qaeda, que nem o grupo do Bin Laden”, ensinava a travesti Luiza, quanto ao sobrenome de guerra que escolheu para ser alguém na noite. Baixinha, com estrutura física de nordestino parrudo e com aparência de índia, ela era uma das mais animadas na pista de dança da Incontru’s, boate qaeda, ou melhor, caída, de Copacabana, na zona sul do Rio.


Luiza Qaeda posa com nossa
equipe de reportagem


A boate, chamada carinhosamente por alguns freqüentadores de Lixeira Dance Club, já viveu dias de glória e hoje acolhe travestis, michês, bichas de origem humilde e gente curiosa como eu, que fui levado por uma amiga. Nikita, a amiga, não é travesti, mas poderia ser. Alta, cabelos loiros, olhos verdes, chama a atenção já na entrada. “Aquele espelho é meu”, declara.

E, ao longo da noite, isso ficou claro. Que o digam os vários travecos e qu quás que tentaram, em vão, dançar na frente do espelho.

Em nosso grupo também estavam Vlad e Carlos. Um casal extremamente simpático, que servia de coadjuvante nas performances de Nikita. Ou DEformance, como ela me ensinou a falar.

Eu, que também tenho lá minhas deformances, comecei a noite quieto, meio tímido. Tomei uma Smirnoff Ice enquanto paquerava um cara que não me dava a menor bola. Sou especialista nisso. Se eu estiver em um lugar e vários caras se interessarem por mim, eu vou achar de querer justamente o que não estiver nem aí.


Nikita se hidrata antes das deformances

Só me soltei mesmo depois de uma vodka. E como eu não sou de saborear bebida, fiz minha combinação fatal: uma vodka e uma água sem gás, uma virada após a outra, sem tempo de pensar em nada. Nem de se arrepender.

Foi o tempo de a vodka bater e começou o show das drags. Para quem nunca esteve em um lugar como a Lixeira, sugiro: não perca. É muito engraçado. Eles (elas?) são muito rápidos nas tiradas. “É a Tainá!!!!!”, gritou Rose Bombom, a rainha da noite, ao dar de cara com Luiza Qaeda, nossa amiga do início da noite.


Tati Pirulito (à esq.) e Rose Bombom
junto com este que vos escreve, Carlos (de vermelho) e Vlad


Bombom caminha entre os freqüentadores sob uma chuva de moedas de dez centavos. Eu arremessei uma com força, que bateu no peito falso dela. E morri de rir disso como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. Durante toda a apresentação, houve quem jogasse notas de dez reais e quatro pessoas que arremessaram, amassadinhas, notas de cinqüenta.

Ela chamou a primeira atração da noite: Tati Pirulito. Uma boneca vestida de boneca, em uma espécie de comercial do 1406. “Ela vem preparada para conversar com gays”, anuncia o locutor em uma gravação. “Inhaí”, “Luuuuuxo” e outras preciosidades do mundinho ganham vida no hilário show da drag. Não dá para transcrever todo o humor da apresentação.


E pra quem não viu direito,
olha só como a Tati Pirulito é bonitinha


O fim da noite chegava e catei um carioca gaúcho (mora há muitos anos em Porto Alegre). Corpão, beijo sensacional, ficava dizendo que eu era lindo e por aí vai. Fez bem para minha auto-estima e até poderia fazer bem a outras áreas, mas era hora de ir embora.

Fomos todos para a casa de Vlad, onde eu e Nikita assistimos a deformances de Karen Carpenter e outras divas em DVD.

E a Lacraia, onde fica nessa história toda? Bom, fiquei sabendo depois que a Incontru’s já foi o palco das apresentações da hoje (ainda) famosa dançarina. E que, naquela época, seu nome de guerra era Volpi Jones.

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