Central de Manicures

o retorno de zabelê, zumbi e besouro... a vespa não veio. tá lá, fabricando mel

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2003

Mico Poliglota
PRIMEIRO DIA NA AULA DE FRANCÊS

Um grupo de marmanjos sentados em semi-círculo, com um gringo malaco mandando repetir expressões fuleiras que significam “qual é seu nome”, “onde você mora” e marmotagens do tipo.

Comigo não seria diferente. Ou, se fosse, só seria ainda mais cotrofe do que com os demais mortais.

Foi desse jeitinho aí de cima que comecei minhas aulas de Francês, esta semana. Eu, entediado e morrendo de sono – a aula começa às 7:15h da manhã – tinha que ficar repetindo um mesmo diálogo. Era um menino perguntando coisas a um piloto chamado Edouard Dupond.


Repetez vous: Vous vous apellez comment?

O impressionante é como há estereótipos na minha classe. Logo de cara, me estranhei com uma bicha japonesa deslumbrada. Não é que eu cheguei às sete da madrugada e a bicha estava contando animadíssima que tinha morado em Manchester? “Na Inglaterra você sabe quem estudou ou não só pelo jeito de falar”, filosofava a menina moça. Como se o mesmo não acontecesse com praticamente todas as línguas do mundo, né?

Tem a loira azeda e na defensiva. Ela tem medo que a chamem de burra e reage com sarcasmo aos diálogos. Também estão lá a quarentona que precisa ocupar o tempo livre, o gordinho burro e, pasmem, DOIS ARGENTINOS. Não tem reza forte que faça os dois repetirem as palavras direito. Não sei se é impressão minha, mas acho que quem tem espanhol e castelhano como primeira língua tende a ter mais sotaque em qualquer outro idioma. A conferir.

E, desde aquele dia, ecoa na minha mente perturbada a seguinte pergunta: POR QUE NÃO FIZ FRANCÊS NA ADOLESCÊNCIA?

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